Melhorar resultados? Com esta equipe?

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Os principais passos para que um gestor melhore sua liderança e mobilize sua equipe para obter resultados significativos para a empresa

“Como posso melhorar os resultados para a empresa? Eu converso com eles, explico o trabalho, falo da importância de trabalharem como equipe, mas não está dando certo”

Situações como esta são mais comuns do que possa parecer. Por quê? Trabalho em grupo é realmente complexo; as pessoas são diferentes, têm interesses muitas vezes divergentes e antagônicos, tem ritmos e formas diferentes de fazer as coisas.

Uma equipe dividida, desmotivada, sem um sentido de direção, que não conheça bem seus processos e as necessidades dos clientes, provavelmente terá grandes perdas de qualidade e de produtividade, conseqüentemente de resultados empresariais.

“Bem, então não tem saída”?

Calma, vamos por partes. Separei em cinco blocos para facilitar a compreensão dos pontos importantes.

1) Processos

Os processos da tua área de trabalho estão mapeados e bem organizados? São de conhecimento do pessoal da equipe? A equipe tem os recursos materiais para realizar os processos?

2) Equipe – dimensionamento

A equipe está bem dimensionada? Importante não estar sub ou superdimensionada. Em tempos de competição e de restrições econômicas a tendência é de se ter equipes enxutas, porém, sem perda da qualidade e da produtividade. E aí, entra um fator importantíssimo: o trabalho como equipe, ou seja, cada um fazendo seu processo e atento às necessidades dos outros membros e do todo.

3) Equipe – talentos e adequação

Quais são os potenciais dentro da equipe e quais as limitações? Quando um gestor conhece as forças e as possíveis dificuldades de cada membro da equipe, inclusive as próprias, amplia enormemente sua capacidade para apoiar, cobrar resultados, delegar e incentivar o crescimento pessoal e coletivo.

Um instrumento bastante interessante para isto é o Indicador de Tipos Psicológicos – MBTI – utilizado por muitas empresas e também por órgãos de ponta no ambiente de ensino, como o INSEAD, instituto para formação e desenvolvimento de executivos na França.

4) Equipe – jogos de poder internos ao grupo

É próprio do ser humano um maior ou menor grau de competição e para isso as pessoas se agrupam informalmente como estratégia para ampliar seu poder ou para sobreviver em ambientes competitivos. Esses subgrupos muitas vezes se hostilizam, de forma dissimulada, e até mesmo aberta. Conflitos como esses podem ter efeitos muito ruins para os resultados pretendidos. Como enfrentar situações desse tipo? É importante o gestor conhecer, pelo menos um pouco, esses mecanismos, e saber enfrentar ou atenuar seus efeitos negativos. Melhor ainda se puder aproveitar as lideranças e as forças mobilizadoras da sua equipe, canalizando-as para os resultados pretendidos. Pior é fazer de conta que não existem conflitos.

5) Consciência do papel de cada um e do senso coletivo de direção: “Para onde estamos indo?”

Além de conhecer seu processo de trabalho é importante que cada empregado saiba qual é o seu papel na organização, o que se espera dele. Saber encantar clientes, internos e externos, gera uma sensação de estar contribuindo para o sucesso da empresa.

É muito importante também que a organização, através dos gestores, mostre claramente qual é a visão, qual é o norte da empresa. Isto dá um sentido de alinhamento e de direção que envolve a todos. O foco na visão deve ser mantido e constar sempre das pautas de reuniões, eventos, etc., para que não caia no esquecimento ou no descrédito. Já vi iniciativas deste tipo, que após algum tempo não se falava mais sobre isso, e as pessoas comentavam: “Eu sabia que não ia dar em nada”. Jogou-se recursos fora pela falta de firmeza na condução em direção à estratégia principal.

Não abordei aqui outros pontos como: ameaças e oportunidades, estratégia, metas, etc., todos importantíssimos para o sucesso de uma organização. Mas o foco deste artigo é a formação de uma equipe de excelência.

Ah, faltou um questão. Se a pergunta inicial fosse feita para a sua equipe, será que a resposta seria parecida?

Melhorar resultados? Com este chefe?

Chefe gritando

Quantas vezes um dirigente ou algum gestor acaba se tornando um problema para a equipe, seja por atitudes não coerentes, falta de habilidade em gestão e liderança, insegurança pessoal, etc.

Vamos deixar claro: “O gestor não é um super-homem”. Justamente por isso é muito importante o autoconhecimento, conhecer seus pontos fortes e suas limitações, desenvolver habilidades e ter a humildade de solicitar ajuda quando necessário. Um gestor não nasce chefe ou líder; justamente por isso precisa aprender práticas de gestão e de liderança que o habilitem nessa importante e difícil tarefa.

Dou um exemplo pessoal. Durante cinco anos ocupei uma função gerencial na área de infraestrutura: era responsável pelas áreas de limpeza, manutenção predial, ar condicionado, cafezinho, etc… Como eu conheço bem o meu tipo psicológico (ver item 3 acima), sabia que teria dificuldades nessa atividade, porque sou um tipo mais reflexivo, introvertido, intuitivo, etc. Uma atividade empenhativa e de exposição como essa era um desafio grande para mim, mas aceitei o desafio.

Procurei então montar e preparar uma equipe que me ajudasse na condução e no controle dos processos e que estivesse preparada para dar o primeiro atendimento para reclamações ou solicitações, e eu me guardava para a solução de problemas mais complexos, atender à administração, etc. Dessa forma, eu evitava me estressar mais que o normal para este tipo de atividade.

Espero que este artigo tenha deixado claro para dirigentes e gestores: “Vocês são os principais responsáveis pela gestão dos processos e das equipes, e pelos resultados de curto e de longo prazo alcançados pela organização.

Sobre Marcio Campos Ferreira

Marcio Campos Ferreira

Mestre em Gestão Empresarial pela EBAPE/FGV; 10 anos de experiência na aplicação do Indicador de Tipos Psicológicos (MBTI); 35 anos de Petrobras, ocupando funções gerenciais e como consultor em RH.

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