Líder ou chefe? É real este dilema?

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Será que a literatura e as premissas sobre ser líder ou chefe são adequadas ao gestor brasileiro?

Leia as frases abaixo. O que há de errado ou certo com elas?

“As equipes brilhantes são formadas por pessoas especiais que, em geral, se irritam umas com as outras; mas, com a ajuda ‘espiritual’ de um líder ‘iluminado”, encontram a forma de serem elas mesmas e ao mesmo tempo consagrarem-se como equipe.”

”Os grandes líderes são como os melhores maestros – eles vão além das notas para alcançar a mágica dos músicos.”

Maestro

“A diferença entre um chefe e um líder: um chefe diz: Vá! um líder diz: Vamos!”

Chefe x líder

“O líder é motivador e confiante, o chefe é estúpido e arrogante, o líder repreende e aconselha, o chefe faz sermão e adverte.”
“Líderes pensam e falam sobre soluções. Seguidores pensam e falam sobre problemas.”

Para mim algumas frases são interessantes, outras são preconceituosas, mas, em geral, consideram o líder como um cara diferenciado, um vencedor. A lógica por trás destas frases é a de uma cultura americana que faz do líder um cara super, um cara poderoso, que consegue “motivar” e entusiasmar seus seguidores para atingir objetivos de longo prazo. O líder consegue seguir na frente ou junto com sua equipe, como um modelo, um cara a ser seguido e que inspira seus colaboradores a se superarem.

E no Brasil funciona esta lógica para o líder?

Chefe ou lider

Pois bem, a lógica no Brasil é outra bem diferente. Antropólogos e escritores como Roberto DaMatta, Lívia Barbosa, Betânia Tanure, entre outros, enfatizam que o Brasil, de maneira similar a outros países de cultura latina apresentam alta distância de poder entre líderes e liderados. O líder costuma ter uma postura de comando, quando não autoritária, enquanto os liderados apresentam uma postura mais submissa, mesmo que tenham estratégias para “sobreviverem” num ambiente como este. Ditos populares sobre o assunto: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”, “Finge que me paga que eu finjo que trabalho”, etc.

Em outras palavras, apesar de muitas empresas investirem em treinamentos de liderança e diversas consultorias afirmarem que as pessoas precisam de líderes e não de chefes, eu tenho dúvidas se esta é a solução que as empresas precisam. Acredito que conceitos e práticas de liderança seguidas em outros países dificilmente funcionarão da mesma forma em nosso país.

Afinal: Líder ou chefe?

Lider 3

Sabemos que as empresas precisam buscar a produtividade, a qualidade, encantar o cliente e, obviamente, resultados financeiros. Para isso precisam ter uma boa gestão, o que enfatiza a importância do papel dos gestores. Claro que o ideal é que os colaboradores tenham a consciência da importância do seu trabalho e estejam motivados para darem o melhor de si.

Porém, quem monitora e é responsável por essa gestão no dia a dia é o gestor, seja ele, diretor, gerente, chefe ou coordenador. Não se pode prescindir desse papel. O ideal é que o gestor saiba fazer a gestão, tenha habilidades para conseguir os resultados esperados e, ao mesmo tempo, mantenha o moral da equipe elevado. Isto não é uma tarefa fácil, pois além de ter que lidar com o seu próprio temperamento, medos, crenças e maior ou menor habilidade, tem que saber lidar com pessoas muito diferentes que exigem muitas qualidades, tipo: humildade, paciência, saber ouvir, firmeza de propósitos, capacidade para ensinar a mesma tarefa diversas vezes e também cobrar, orientar e estar atento aos vários fatores que influem na produtividade, na qualidade, no ambiente entre os colaboradores e no atendimento aos diversos níveis de clientes, internos e externos. Uma tarefa muito desafiadora.

Isso basta? Não. É preciso ainda que ele consiga dar um norte para a equipe: “para onde nós vamos”. E para isso é preciso definir claramente qual é a visão, qual a estratégia, implantar sistema de comunicação eficaz e, muitas vezes, um programa de gestão da mudança para viabilizar tudo isto.

Ufa!!! Então é necessário um super-homem para alcançar tudo isto? É por isso que muitos autores e consultores apresentam o líder com um cara poderoso, um cara “iluminado”, quase um semideus.

Na minha experiência constatei que não é assim. Um empregado que foi designado gestor vai perceber muito rápido que sua função tem muito pouco de glamour e muito de esforço, perseverança, vontade de aprender e coragem para assumir suas falhas, além do empenho para manter seus colaboradores engajados nos objetivos da empresa.

Óbvio que a ajuda de consultores e pessoas experientes é sempre bem vinda, mas a responsabilidade maior é do gestor na busca por resultados empresarias.

Para concluir:

Faça a gestão da área e das atividades sob sua responsabilidade, evitando atitudes autoritárias, mantendo relacionamentos respeitosos e produtivos e, não esqueça, indique claramente qual a direção a seguir, quais são as metas e objetivos de longo prazo que garantirão o futuro da empresa.

Num outro artigo iremos detalhar quais são os passos para se tornar um líder efetivo.

Sobre Marcio Campos Ferreira

Marcio Campos Ferreira

Mestre em Gestão Empresarial pela EBAPE/FGV; 10 anos de experiência na aplicação do Indicador de Tipos Psicológicos (MBTI); 35 anos de Petrobras, ocupando funções gerenciais e como consultor em RH.

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